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"A câmera não estupra, nem mesmo possui, embora possa atrever-se, intrometer-se, atravessar, distorcer, explorar e, no extremo da metáfora, assassinar - todas essas atividades que, diferentemente do sexo propriamente dito, podem ser levadas a efeito à distância e com certa indiferença".

Susan Sontag, "Sobre a Fotografia".

Últimas opiniões enviadas

  • David Oliveira

    Há uma longa história que envolve a família Mann em torno da obra monumental de Goethe. O filme, inspirado no livro de Klaus Mann (filho do grande Thomas Mann) de 1936, pouco depois da ascensão nazista (e que traça muito bem o sentimento de otimismo com a "força renovadora" do nacional-socialismo, assim como a cegueira de parte da intelectualidade liberal alemã, que desconsiderou a força do movimento), contrói-se em torno de Hendrik (ou Heinz, o nome rejeitado) Höfgen, inspirado no grande ator Gustaf Grüdgens. Para quem não liga o nome à pessoa, Grüdgens está na famosa obra do Fritz Lang, "M, o vampiro de Dusseldorf" (1931), é o "líder" dos criminosos e faz as vezes de chefe de tribunal.

    Grüdgens casou-se com Érika Mann (Barbara Bruckner nas obras ficcionais), filha de Thomas Mann. Cunhado, pois, do autor do livro, que se debruça sobre esta personagem tão próxima. É sobre Grüdgens que recai o pacto diabólico na tradição fáustica (a cena do aperto de mão com o primeiro ministro é fundamental, "manchei-me com algo que jamais poderei limpar", diz o personagem do livro). Curioso ter interpretado justamente Mefistófeles na juventude, e entrado temporariamente para a família cujo patriarca futuramente escreveria sobre a experiência totalitária alemã a partir da releitura de Goethe, "Doutor Fausto" (1947).

    Goethe, que nos dizeres de Thomas Mann percorre três mil anos da história humana, permanece como uma chave para se pensar nas experiências totalitárias recentes. Mas para além do pacto, há o impossível, o irrealizável, o que não pode ser alcançado. Esta é a força da figura do Fausto.

    Sobre a "adaptação" de Szabó, recomendo a leitura do livro. Há algumas menções, bruscos cortes que funcionam bem somados à leitura da obra (além de ausências importantes, como a de Theophil Marder, por exemplo, intelectual que se apresenta como a "consciência crítica alemã"). A personagem de Juliette Martens é fascinante no livro, há todo um jogo erótico de violência e subjugação entre ela e Höfgen, algo suavizado no filme.

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  • David Oliveira

    O Kaji, ao menos nesse primeiro filme, não chega a se opor à situação colonial, o estudo que ele faz, apresentado logo no início e que abre para o desafio de "provar na prática o que ele afirma em teoria", não é uma obra anti-colonial, ao contrário, é um material que defende reformas no sistema trabalhista com vistas a atingir um aumento na produção. "Sem essa contradição não haveria sobre o que escrever", sem essa menção pragmática de aumento dos lucros o estudo não possuiria crédito algum na administração, e a "questão chinesa" continuaria a equiparar homens a minerais, explorados e destruídos.

    O Kaji então, nas tentativas de se aproximar dos prisioneiros, a todo momento fala dessa necessidade de confiar na palavra, acreditar no compromisso de que mudança nas relações trabalhistas acontecerão em breve, e isso em meio às execuções sumárias, aos espancamentos, às traições que os chineses a todo momento sofrem. Se ressente da desconfiança, inclusive chegando a mencionar que não era culpa dele ter nascido japonês. O crime não é esse, a responsabilidade está em assumir uma posição ambígua num sistema de reprodução de violência, de falar que os lucros virão, que a meta de 20% será alcançada abandonando o chicote, que o colonialismo pode ser sustentado - e isso em meio a complexas relações de subordinação que envolvem tipos diferenciados de trabalhadores, etnias (coreanos também não possuem lugar seguro nessa tormenta), prostitutas chinesas, corrupção dentro do corpo administrativo.

    Como manter a coerência, ou melhor, como sustentar uma situação que está prestes a ruir? No momento em que os prisioneiros de guerra levantam as mãos e marcham ao grito de "assassinos!" o sinal de alerta é ligado. As fugas, as conversas segredadas, os conflitos de interesse, a manipulação de informações reportadas à sede administrativa e à polícia secreta, a iminência da derrota japonesa na guerra: a instabilidade colonial é gritante. Como defender reformas que não contradigam o imperialismo, diante dessa multidão de acontecimentos? "Ou a teoria estava errada ou não foi aplicada corretamente". Vamos ver como os pés do Kaji tocarão o chão.

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  • David Oliveira

    Uma dúvida sobre a Kaede:

    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    Ela fala que não houve qualquer vaidade nas suas motivações, que tudo era vingança aos Ichimonji, mas não entendi como a cabeça de Sue faz parte do plano. A menina já era vítima do Hidetora, teve os pais assassinados, o irmão perdeu a visão. Como sua morte vinga o sangue do clã?

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  • Andretta
    Andretta

    Pode deixar. Um bom 2018 pra você também, e obrigado pela atenção.

  • Andretta
    Andretta

    Oi. Sim, eu gostaria de entrar no MKO. Como é chato "pedir" eu me dispus a "trocar": um convite do MKO por outro do AvistaZ. Vai que interessa a alguém.

    Hoje eu conversei com uma pessoa e ela se dispôs a tentar conseguir um convite para mim. Disse para eu ficar de olho no meu e-mail. Acho que agora é só esperar. Tomara que dê certo.

  • Nathália
    Nathália

    Herzog, me aceitaram no MakingOff. :D Obrigada!