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Últimas opiniões enviadas

  • Mariana

    o depressivo chora sua própria morte e o filme é um calvário nas últimas lágrimas
    de alain.

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    alain tateia o rosto de lydia como quem procura algo. um sentido. talvez procure a si
    mesmo. "de qualquer forma, alain, nos encontramos em breve". a resposta é um olhar absorto na paisagem para além das câmeras.
    no quarto, um espelho com fotos das mulheres que ama ou pensou amar.
    recortes de jornal com matérias sobre mortes estranhas ou suicidas (incluindo uma matéria da morte de marilyn monroe). boneco sem cabeça, embalagens vazias, 23 de julho rabiscado no espelho, revólver na mala. tudo programado. a morte chega como uma ideia de viagem. partida. ao depressivo ninguém dá importância para os alertas que solta nas falas, como se pedisse indiretamente uma ajuda. um amor, alguém que cuide do que ele não pode cuidar: ele mesmo.

    conversando com o amigo, senta-se prostrado na cadeira. no café de flore, está
    prostrado na cadeira. a vida o amedronta. pessoas passam pela rua, todas com um
    propósito, estilo. ele está sentado, observando tudo. o poeta está à margem. para atravessar as ruas, mantém-se sempre no meio da pista enquanto o fluxo de carros é intenso. a vida passa rápido.

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    maior contradição de alain: ser depressivo e perceber a vida passando lentamente na sua frente, enquanto deseja acelerá-la. outra contradição de alain: deseja tanto ser amado que ama, ao mesmo tempo em que se mata porque não foi amado e não amou.
    sua última noite com os amigos foi para ter certeza que não faz parte daquelas
    convenções sociais onde impera a hipocrisia e o bom tratamento quando no fundo
    todos se desprezam.

    diz repetidas vezes que não consegue tocar as coisas, as pessoas, não alcança o tal sol que é a vida dentro de cada um que o cerca. a vida lhe é nublada, é um temporal que o pega de surpresa sem guarda-chuva, é um gole no álcool depois de meses na reabilitação.

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    a vida é um produto tóxico onde tudo deu errado, onde o vício chegou antes da consciência, onde única pulsão cabível é a morte, onde o auto-exílio parece mais cru e sincero e digno que toda forma de conformismo humano. alain, ao rejeitar a vida, se eterniza numa juventude, que é promessa e mentira, mas ainda assim, o morrer é um sabor de "tudo errei, nada arrumei, e me eternizo num ponto onde tudo poderia ser".


    um soco no estômago.
    um tiro no peito.
    "o mundo é cego, e vens exatamente dele".

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  • Mariana

    vivemos em sociedade e o que mais compartilhamos é solidão.

    por todos os lados a sutil solidão se avoluma: sobre a cama, os casacos, as seis meias de molho, a pia, o baralho, o nescafé, as mesas dos bares. o mundo é a casa dos ratos, o quarto é a fortaleza que me mantém em mim.
    o silêncio cresce em solo de solidão, e os barulhos dos outros não afugentam mais a solidão instalada. a vida parece perder a graça, e perde. os tediosos afazeres diários, o peso de existir: o cinema e os cafés são um abrigo, o caminhar é sem rumo, e as necessidades que cumpro não necessito, ou não quero necessitar. algo mudou, o sentido de alguma coisa...a náusea de existir tonteia, as respostas não existem ou existem sem regras, o viver é sem fórmula...o nada abriga o nada.

    o quadro do quarto reflete um livro do edgar allan poe

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    (em que o personagem do livro insiste por diversas vezes que é ele quem escreve, e não o senhor poe)

    , mas não reflete o homem; o homem reflete sobre a vida. reflete? e a sua reflexão é um estar em si? ou é um exílio de si, com tamanha indiferença, tamanha necessidade de gestos automáticos? e reconhecer o outro, para além dos domínios de si. existe? faz-se necessário? o outro é o que, uma conexão, um monstro? um outro exemplar de solidão e indiferença?

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    para perceber: o espelho quebrado em três partes, o teto com rachaduras, as unhas roídas. no cinema se sente único, no café está sozinho mesmo que rodeado de pessoas, na vida se sente incapaz (e aí, aos 15min e 40seg, sua imagem refletida por várias vezes num espelho, como se visse ali a expectativa que cria de si. logo em seguida, a perspectiva de um lugar vazio.
    as ruas são tão sozinhas quanto o homem que caminha solitário. o seu quarto é repleto de livros e a visão de sua janela é obstruída parcialmente por um telhado. é possível ver o todo? é possível ser ativo no viver? estar, ser, escolher, agir...superar-se?

    você desce no sufoco da narração e sobe pra refletir sozinho. no seu quarto.
    alguém me lê na minha solidão.
    alguém toma café comigo.

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  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/

  • Gustavo
    Gustavo

    oi, mariana.
    hoje, meio depressivo, decidi rever "trinta anos esta noite". como sempre, me emocionei. entrando aqui no filmow para avaliar o filme, vi o teu comentário e achei excelente. as cenas ficaram passando na minha cabeça enquanto eu lia as tuas palavras. se tu quiser ser minha amiga, ficarei grato. já te adicionei.
    um abraço.

  • Tomás
    Tomás

    Oi.
    Estava fuçando nos seus Favoritos e vi que tu favoritou Pi e o Sétimo Selo. <3
    Dois dos meus filmes favoritos, haha.
    Também vi lá vários filmes que eu coloquei na minha lista.
    Por conta dessa compatibilidade resolvi lhe adicioná-la espero que não se incomode!